sábado, 20 de outubro de 2012

Tintim: Aventura e muita Geografia.

Tintim apareceu pela primeira vez nas páginas de Le Petit Vingtième em janeiro de 1929. O personagem foi o pioneiro do chamado jornalismo em quadrinhos, sempre se preocupando em satisfazer seus leitores e mantê-los bem informados, acabava por vivenciar uma série de aventuras. Seu criador Hergé, o desenhista Belga Georges Prosper Remi (1907-1983), se inspirou no seu antigo desenho Totor para criá-lo e suas aventuras são ambientadas em países de quase todos os continentes, e até mesmo fora do planeta.

Tintim participava da vida dos entrevistados e dos temas das matérias. Exprimia seus pensamentos e mostrava o que fazia. Criava regras próprias de jornalismo e sua reportagem aparentava um diário de viagem. Em seu círculo de amigos estavam o Capitão Haddock, Professor Girassol, os investigadores Dupont e Dupond e o seu cãozinho Milu.


As primeiras aventuras do personagem exprimem vários aspectos comuns na década de 1930:

- uma visão dos colonizados baseada em estereótipos por parte dos colonizadores.

- posturas colonialistas, difundidas na Bélgica no início do século XX.

- choque cultural entre colonizador e colonizado.

- supremacia européia.

- questões ideológicas

Esses são pontos de partida interessantes para discutir a Geografia e a Geopolítica do imperialismo, mostrando as conseqüências do mesmo nos países africanos. E, no universo do personagem, outras questões podem ser analisadas, tais como o neocolonialismo, a partilha territorial da África, a Segunda Guerra Mundial e os pressupostos ideológicos do Nazismo, do Comunismo e do Capitalismo (sem contar os diferentes elementos culturais e paisagistícos dos locais onde são ambientadas as aventuras).

Sua primeira publicação intitulada "As aventuras de Tintim no país dos Sovietes" (1930) mostra, em diferentes situações, aspectos negativos do regime soviético. Fábricas são pura fachada: na parte de dentro, um funcionário queima palha para produzir fumaça saindo da chaminé a manter as aparências de uma fábrica em funcionamento.


Em "Tintim no Congo" (1931), os nativos eram tratados como ignorantes, que deveriam ser instruídos pelo homem branco. Por exemplo, em uma aula que ministrou a crianças nativas, ele usa a seguinte frase: “Meus queridos amigos, hoje vou falar-lhes de seu país: a Bélgica”. Essa fala do personagem foi revisada em 1946 e em 1970 e o tema da exposição dada aos alunos passou de uma questão geopolítica para a matemática, na forma de uma conta de dois mais dois. Hergé chega a apresentar Tintim como um caçador, abatendo quinze antílopes, quando na verdade ele precisava de apenas um.



Já em "Tintim na América" (1932) , índios aparecem dançando ritmos de guerra ao redor de reféns brancos amarrados em estacas. Todavia o personagem denuncia os abusos sofridos por estes mesmos índios por parte dos colonos.

O Loto Azul (1936) se transformou na primeira aventura de Tintim baseada em dados reais. Além disso, o quadrinho serviu para desmentir algumas crenças da cultura chinesa, até então mantidas na Europa. Hergé copiou as paisagens da China por meio de fotografias e os cartazes que faziam referência ao conflito entre a China e o Japão foram escritos em caracteres chineses.


O criador de Tintim também chegou a ser acusado de anti-semitismo quando em "A Estrela Misteriosa" (1942) retratou dois vendedores judeus felizes com a chegada do fim do mundo, uma vez que não teriam que pagar seus fornecedores.

Em "Explorando a Lua" (1954) descreve a primeira viagem no espaço e a exploração do nosso satélite por Tintim e seus amigos, quinze anos antes dos americanos da missão Apollo 11.

Em "O Caso Girassol" (1956) Tintim vai à Sildávia e à Bordúria, um cenário que lembra a disputa geopolítica entre Estados Unidos e União Soviética, numa referência clara á Guerra Fria.

Muitas cenas (Falas e traços caricatos) foram modificadas nas edições posteriores para eliminar qualquer vestígio de discriminação e dotar Tintim do caráter heróico que identifica esse fascinante personagem nos dias atuais: a aventura, o gosto pelo mistério e a vontade de proteger os fracos.

Algumas cenas modificadas:



Abertura da série animada:

2 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom. eu assistia mas não conhecia essa lado de tintin

Karina Melissa Cabral disse...

Muito bom artigo! Parabéns!
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