domingo, 10 de julho de 2016

Sensoriamento Remoto - conceitos e um pouco de história

"Não é preciso ter olhos abertos para ver o sol, nem é preciso ter ouvidos afiados para ouvir o trovão. Para ser vitorioso você precisa ver o que não está visível"

Sun Tzu

Gaspard Felix Tournachon
O Sensoriamento Remoto corresponde  ao processo de aquisição de informações sobre um objeto, ou fenômeno, sem que haja contato físico com o mesmo. Ele é usado em diversos campos: fins militares, econômicos, e planejamento (tornando possível coletar dados de áreas perigosas ou de difícil acesso).

A origem do Sensoriamento Remoto está vinculada ao surgimento da fotografia aérea, e se caracterizou como uma alternativa à coleta lenta e dispendiosa de dados feita diretamente na superfície, garantindo, também, que as áreas ou objetos não fossem perturbados.

A  primeira fotografia aérea foi tirada muito antes de satélites e computadores começarem a dominar o campo do Sensoriamento Remoto. Em 1858 , Gaspard Felix Tournachon (conhecido como " Nadar " ) tirou a primeira fotografia aérea utilizando-se de um balão. Todavia, a fotografia área sistemática, com fins de vigilância e reconhecimento militar, desenvolveu-se  a partir da I Guerra Mundial , chegando ao auge durante a Guerra Fria com o uso de aeronaves de combate modificadas.

Em 1903, Julius Neubranner , entusiasta da fotografia , projetou e
patenteou uma câmera aérea "acoplada" no peito de pombos-correio.
Método de obtenção de fotos aéreas na Primeira Guerra Mundial 
À medida que a fotografia aérea foi evoluindo, foram se desenvolvendo duas ciências paralelas, a Fotogrametria e a Fotointerpretação. A Fotogrametria se preocupou em desenvolver as técnicas que melhor representavam a forma do terreno, sua topografia e a métrica dos mapas produzidos a partir das fotos aéreas. Diferentemente da anterior, a Fotointerpretação não estava muito preocupada com a questão métrica, quantitativa, e sim com a questão qualitativa, com o que poderia ser visto e identificado sobre uma fotografia.

Fotointerpretação/ Fotogrametria
O Sensoriamento Remoto usa a tecnologia de sensores para detectar e classificar objetos na Terra por meio de sinais propagados (por exemplo a  radiação eletromagnética ).  Os sensores óptico-eletrônicos, utilizados para a captura desses  "sinais", funcionam como uma câmera fotográfica (que capta e registra a radiação – luz – emitida/refletida pelo objeto).

A maior parte dos sensores tem a capacidade de "visualizar" o espectro eletromagnético da luz visível e o infravermelho. Por isso, o sensor do satélite pode captar mais informações do que as  máquinas fotográficas (que captam basicamente o espectro da luz visível).
 
Espectro Eletromagnético
Exemplo de imagem em infravermelho
O Sensoriamento Remoto pode ser classificado como passivo ou ativo.

Sensoriamento passivo/ Sensoriamento ativo
Os sensores passivos recolhem a radiação que é emitida ou refletida pelo objeto ou áreas circundantes. A luz solar refletida é a fonte mais comum de radiação medida por sensores passivos.  Um infravermelho é um exemplo de sensoriamento remoto passivo.

No sensoriamento ativo, uma "energia" é emitida por uma fonte artificial, a fim de interagir com os objetos e áreas.  Após ser refletida pelos alvo, essa energia é captada e medida pelo sensor. Um Radar é um exemplo de sensoriamento remoto ativo.

Após feita a captura da imagem, esta será analisada, transformada em mapas, ou fará parte de um banco de dados georreferenciados, caracterizando o que pode ser chamado de Geoprocessamento.

O desenvolvimento de satélites artificiais na segunda metade do século 20 permitiu a  aplicação do Sensoriamento Remoto em escala global. Sondas espaciais, enviadas a outros planetas, também deram a oportunidade de realizar estudos de sensoriamento remoto em ambientes extraterrestres.

A primeira fotografia já publicada da Terra a partir do espaço ,
nave espacial Lunar Orbiter - 1966
Terra vista do Espaço Estação ISS

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