quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Realismo nos quadrinhos do Homem-Aranha e os ataques de 11 de setembro

Sendo uma mídia que usa a fantasia para retratar problemas reais, as histórias em quadrinhos sempre são afetadas por transformações que ocorrem com a sociedade. Algumas dessas transformações são provocadas por tragédias que marcam a sociedade e reorientam questões culturais, econômicas e geopolíticas. Essas transformações podem ter projeções mundiais e influenciar até mesmo as formas de expressão artística, como no caso das próprias histórias em quadrinhos

Os ataques às Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, em 11 de setembro de 2001, marcaram consideravelmente a história da humanidade. Diversos meios de comunicação e formas de expressão artísticas, registraram os acontecimentos relacionados a esse momento e suas conseqüências.

Na edição especial de uma história em quadrinhos da Marvel Comics, lançada em dezembro de 2001 nos Estados Unidos, o Homem-Aranha chega atrasado ao World Trade Center no dia 11 de setembro de 2001. Ele é cobrado pela população por não ter evitado a tragédia e se junta aos inúmeros bombeiros, paramédicos, policiais e cidadãos comuns na busca de sobreviventes nos destroços.



A história foi originalmente publicada na revista "Amazing Spider-Man - 36", escrita por J.Michael Straczynski e desenhada por John Romita Jr. A HQ começa com a seguinte manchete de televisão: “Interrompemos nossa programação para um comunicado especial", em um página completamente escura. Logo em seguida, aparece uma imagem ampla com as torres derrubadas, sob a visão de um Homem-Aranha completamente estarrecido.

Além do "Aranha", outros personagens da editora são retratados trabalhando ao lado de bombeiros, policiais e voluntários de Nova Iorque. Entretanto,  os cidadãos comuns são os verdadeiros heróis dessa história. e o próprio homem-aranha reconhece dizendo: "Com nossos uniformes e poderes ficamos pequenos diante dos reais heróis".

Após os atentados de 11 de setembro, muitos quadrinhos passaram por significativas mudanças, ao discutir de forma mais aberta questões “realistas” como o terrorismo, movimentos sociais, questões políticas e religiosas.

No mundo real, o então presidente dos Estados Unidos começava a chamada "guerra ao terror", anunciando sanções contra países que protegessem terroristas  e evidenciando uma política unilateralista dos EUA. O  Islamismo e o fundamentalismo islâmico foram freqüentemente associados de forma equivocada levando a um "choque entre civilizações".

O medo passou a fazer parte do cotidiano do país mais poderoso do mundo: uma lei deu ao presidente o direito de prender sem acusação prévia suspeitos de terrorismo e  telefonemas e e-mails de cidadãos foram grampeados  sem permissão judicial. Nesse período, até mesmo o Capitão América aparece em algumas histórias enfrentando terroristas.

2 comentários:

Aline Souza Almeida disse...

oi, adorei seu blogue. Como posso ter acesso a essas histórias em quadrinhos?!

Aline Souza Almeida disse...
Este comentário foi removido pelo autor.