terça-feira, 9 de abril de 2013

Pyongyang - Uma viagem à Coreia do Norte

Publicada originalmente em 2003, “Pyongyang - Uma viagem à Coreia do Norte” é uma história em quadrinhos autobiográfica, do canadense Guy Delisle, que mostra as faces da ditadura comunista no país.

Com a abertura do país para investimentos estrangeiros, Guy Delisle viajou para sua capital, Pyongyang, onde trabalhou por dois meses como supervisor de um estúdio de animação francês. Ele produziu sua HQ baseando-se em suas impressões, assumindo uma postura crítica sobre a Coreia do Norte e valendo-se de muito humor para relatar episódios do cotidiano.

Sabemos que a
 História da divisão das duas Coreias remonta ao fim da Segunda Guerra Mundial, que a Coreia do Norte foi enquadrada pelos Estados Unidos no chamado “eixo do mal”, que ela possui mísseis nucleares, é governada por um ditador e possui uma economia fragilizada. Mas como vivem os norte-coreanos?

Delisle relata que imagens do ditador estão espalhadas das mais diferentes formas e em todos os lugares, assim como de seu pai, Kim Il-sung (1912-1994), seu antecessor no comando do país. Todos os museus, hotéis, estádios ou qualquer coisa é enaltecido por seus não sei quantos metros quadrados, cômodos, corredores, etc.



Vale lembrar que Pyongyang foi fortemente bombardeada durante a Guerra da Coreia (1950-1953) e teve de ser praticamente toda reconstruída. Essa reconstrução processou-se com a ajuda soviética, o que ficou marcado em sua arquitetura.

O autor também mostra que não havia internet e jornalistas não eram bem vistos. A televisão só possuía dois canais estatais.  Os estrangeiros tinham pouca liberdade: não podiam, por exemplo, pegar um táxi sem seu guia. Delisle era obrigado a circular quase sempre acompanhado do guia ou do tradutor. Em um trecho, ele explica que foi à estação de trens  desacompanhado e, mesmo assim, o vigiavam (até em seu trabalho já estavam sabendo que ele tinha ido a essa estação).

Combustível e energia elétrica eram racionados, hortas e plantações instaladas na cobertura dos prédios mostravam sinais da escassez de alimentos e caminhadas eram estimuladas pelo governo sem que fossem associadas à disponibilidade insatisfatória de transporte para a maior parte da população.

A HQ tem uma força documental extraordinária e poderá ser uma obra bastante rica para qualquer pesquisa sobre a Coreia do Norte que exija uma visão externa daquele país, expondo as falhas de seu sistema (comunista) e servindo como ponto de partida para identificarmos as falhas do nosso próprio (capitalista).

 Apesar de terem se tornado dois países tão diferentes (Coreia do Norte e Coreia do Sul), para a população civil ainda há a esperança de um país unificado. Porém, apesar da vontade popular, hoje os dois países estão mais próximos de um conflito do que de uma aproximação.

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